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VENENO - que tal um Fusca envenenado ? Parte IX

Na semana passada apresentamos o motor 1 600cc turbinado. É uma preparação excelente, simples de fazer e não muito cara. Mas como alguns farão os turbo 1 600 e ficarão satisfeitíssimos, outros por pura maldade farão os turbo 1 800cc para deixar os primeiros contrariados. Aí, outros virão com turbo 1 900cc e assim por diante... Incrível né? Chegam ao ponto de sentar ao lado de uma turbina de jato DC 10 e descer o “cacete” (pra quem não sabe, há dragsters nos Estados Unidos assim, com empuxo equivalente a 10 000cv), são pessoas aparentemente normais, não mordem, conseguem falar, apanham da mulher, ou seja, não é necessário acorrentar e soltá-los só na hora de entrar no carro.Mas, como sou um homem prudente, não vou contrariar essas pessoas e as ensinarei a fazer os turbo 1 800cc e 1 900cc e assim por diante. Se você não se encaixa no tipo, não precisa ler...
Daqui pra frente necessitamos uma carburação maior (duas duplas Weber 40 ou 44), senão teremos um carro muito “chocho“ nas rotações mais baixas, antes do turbo entrar em ação. Além disso, teremos colocado um comando de válvulas mais nervoso (do 284 até 310 graus), para atingirmos rotações mais altas, e se não usarmos uma carburação de maior passagem de ar, o motor ficará “pipocando” até atingir a entrada do turbo.
Usaremos álcool e uma taxa de compressão de 8,5/1. Devido ao álcool e à maior cilindrada, uma melhor refrigeração será necessária, por isso um kit de bomba e radiador de óleo deve entrar no pacote.
Estima-se que o turbo 1 800 com 0,8kg de pressão chegue a 180cv (100cv por litro). Tendo uma potência maior, caso aumentem a pressão da turbina, que é regulável, ou caso instale-se um dispositivo chamado “BUSTER” (queimador) — que funciona acionando-se uma chave no painel — ao pisar fundo no acelerador, a pressão praticamente dobra, a potência explode e o motor “xinga” todos os seus antepassados pelo esforço que vai ter que fazer.
O turbo 1 900cc segue na mesma linha, mesmo modo de fazer. Somente usaremos outro kit de camisas e pistões, como expliquei em artigo anterior (Fusca V). É claro que a potência aumenta, mas nem tanto, pois a variação da pressão do turbo é que vai fazer a maior diferença. Conheci um tipo simpático, proprietário de um Fusca 65, turbo 1 900 que, certa noite, estando com outros amigos Fusca-desmiolados, conversava numa esquina, quando chegou com espalhafatoso rapaz num Mitsubishi 3000 GT. Tentarei repetir o diálogo que se seguiu:
— Ouvi dizer que aqui costuma ter uns Fuscas bons de arrancada, você sabe de alguns por aí?
— Olha, bonitão, hoje os bons mesmo não estão, mas qualquer um destes quatro dá pau nesse seu “Batmóvel”, pode escolher.
— Bom, então vai você mesmo, que tal?
Pois é, essas foram as últimas palavras publicáveis do dono desse Mitsu 3000 (tem 300hp), porque não preciso lhes dizer o que aconteceu... Na verdade, preciso sim. Foram para um local seguro e combinaram que só valeria uma distância curta, o equivalente a dois quarteirões, porque o dono do Fusca sabia muito bem qual era o seu limite. Mas como isso foi possível? Ora, o Mitsu 3000, apesar de seus 300 cv, pesa 1450 kg , o que lhe dá uma relação peso/potência (ver Fusca V) de 4,8 kg por cv, ao passo que o Fusca com 200cv e 850 kg tinha uma de 4,25; ou seja, menos peso para cada cavalo. O mesmo não ocorreria se em vez de o querido Fusca de tração e motor traseiros tivéssemos, por exemplo, um Gol com mesma potência, ou mesmo maior, pois ele patinaria na saída, dando tempo para o Mitsu disparar mandando tchauzinho (vale lembrar que tem tração nas quatro). Por que o Gol patinaria tanto? Porque em acelerações bruscas, a massa do carro é deslocada para trás, pesando sobre as rodas traseiras e aliviando as dianteiras, fazendo com que estas percam tração. O inverso ocorre nas freadas, a massa se desloca para frente, e é por isso que a maioria dos carros tem freio a disco nas dianteiras, pois é nelas que recai quase todo o peso nas freadas. Na próxima semana, daremos os custos destas preparações e mais alguma doideira qualquer, até lá.
Artigo retirado de :
www.clubedopuma.com.br/veneno.doc
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